Diálise peritoneal é alternativa para hemodiálise

By 16/07/2014 Blog No Comments
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Com a falta de vagas para hemodiálise ou de remanejamento para a cidade que o paciente quer, uma solução bastante viável é a DPA (Diálise Peritoneal Automática). Basicamente, o tratamento é o mesmo: uma máquina substitui o funcionamento dos rins, removendo os excessos de água, resíduos e substâncias químicas do corpo. No entanto, ela não filtra o sangue diretamente, como na hemodiálise, mas remove as impurezas e o líquido pela membrana da cavidade abdominal. A diferença para o paciente é que o procedimento é feito em casa e não na clínica e precisa ser realizado diariamente. Esse tipo de diálise também é coberto pelo SUS ou pelo convênio.

Quando o doente renal opta pela diálise peritoneal automática, se não houver restrições técnicas ou clínicas, ele será submetido a um implante de cateter específico no abdômen, através de uma pequena cirurgia. Em seguida, ele ou seu cuidador deve passar por um treinamento na clínica de diálise para aprender a realizar esse método dialítico. Depois, leva para casa a máquina cicladora e as soluções de diálise peritoneal. Em casa, basta encaixar a ponta do cateter à mangueirinha da máquina. O procedimento não é doloroso e o paciente faz durante a noite, diariamente, com duração de 8 a 10 horas cada sessão, geralmente enquanto dorme.

Tratamento é feito em casa e proporciona mais conforto, liberdade e independência ao paciente, além de uma dieta menos rigorosa

Segundo a diretora dos Institutos de Nefrologia de Mogi das Cruzes e de Suzano, Silvana Kesrouani, dependendo do paciente este tipo de diálise é bem mais indicado por causa do conforto. “A diálise peritoneal dá mais liberdade para viajar, passear e permite ao paciente uma independência em relação à clínica de diálise, já que o tratamento é feito por ele mesmo ou por um cuidador. Além disso, por ser uma terapia diária, com a mais frequente retirada de líquidos, substâncias tóxicas e sais minerais, a dieta é mais flexível, ao contrário da hemodiálise. Enfim, há uma melhor qualidade de vida porque ele fica livre para realizar suas atividades diárias normalmente.”

Apesar da facilidade durante o processo, da independência do paciente, do conforto, da liberdade e de uma dieta menos restritiva, a médica conta que ainda assim há resistência por partes dos doentes renais. “Mesmo com todos os fatores a favor, muitos ainda escolhem a hemodiálise. Na DPA é preciso participação e responsabilidade do paciente com ele próprio para o sucesso do tratamento.”

A complicação possível deste tipo de diálise é infecção no orifício de saída do cateter e na cavidade abdominal, a chamada peritonite, causada por contaminação durante o procedimento de conexão ou desconexão com a máquina ou até mesmo por higienização inadequada das mãos ou do abdômen. “Há restrições para quem tem aderências abdominais, hérnias de parede abdominal ou inguinal, é muito obeso, com abdômen muito flácido, para quem tem colostomia e quem não apresenta uma boa função de troca pelo peritônio”, explica a nefrologista. Para quem já faz hemodiálise e tem condições e características clínicas para mudar o processo, deve solicitar a alteração para a clínica, que enviará o pedido à Secretaria Estadual de Saúde, responsável pela autorização.

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